Apresentação

Revista Aprender: um Projeto que perdura...

Abílio Amiguinho
Diretor da Revista Aprender

 

A revista Aprender, enquanto projeto editorial, tem, praticamente, a idade da ESEP. Foi um projeto, a par de vários outros, que procurou dar substância a um projeto institucional de natureza plural. Talvez com uma responsabilidade maior: pelo propósito editorial em si, mas sobretudo pela intenção de reflexão e de divulgação de uma estratégia institucional e das ações, tanto de formação como de intervenção, que a visavam desenvolver. Era um projeto mas não era mais um projeto. A linha editorial, traduzida em conteúdos próprios, tinha uma forte base local e institucional que diferenciavam a Aprender de muitas iniciativas similares, emergentes à época, no contexto de criação das ESE.

Por isso, a conjugação de vontades em torno da iniciativa permitiu superar as dificuldades iniciais, tanto de natureza técnica como de recursos humanos, numa região do interior onde, à altura, montar e editar uma revista com as características que, então, se quiseram imprimir à Aprender tornavam esta tarefa ciclópica. Por isso, recordo a satisfação generalizada, quando o nº1 chegou de uma gráfica local. Se um ou outro de nós ficou mesmo chocado com o elevado número de gralhas, algumas delas "garrafalmente" estampadas em títulos que "viravam" erros ortográficos, não esmoreceram o entusiasmo de quase todos. São episódios (mais pequenos) de uma história institucional mas de que também se tecem as tradições e culturas organizacionais.

A revista foi, efetivamente, um dos pilares em que assentou a afirmação e consolidação da ESEP, tanto a nível regional, como nacional. Parte integrante do projeto editorial do Centro de Recursos e de Animação Pedagógica, foi, há 25 anos atrás, peça fundamental de uma intervenção em várias dimensões que, então, se definiu como matriz para a ESEP. Com ela, e pela natureza do seu conteúdo, se vincava uma preocupação de intervenção que ia muito para além da formação inicial dos professores, e, em especial, numa escola virada para o exterior e a atenta à realidade circundante. Nas suas páginas, ao mesmo tempo que se refletia sobre este propósito que se pretendia levar a cabo, vincavam-se as facetas de um projeto institucional: o desenvolvimento sócio-educativo da região, a formação contínua, a Acão cultural, etc. As secções da revista, o conteúdo dos textos e os seus autores assim o demonstravam. Apesar da base local e institucional da revista, esta soube, no entanto, integrar a discussão e a reflexão em torno dos temas mais controversos da política educativa e cultural a nível nacional e das problemáticas atuais da educação e da formação, em termos teóricos e epistemológicos. Fê-lo tanto a partir de conteúdos da responsabilidade dos seus docentes, mas também da de muitos conceituados e prestigiados colaboradores que escreviam regularmente na Aprender, de outras escolas e Universidades, tanto nacionais como internacionais, muitas vezes a solicitação da Direção da Revista, mas, em muitas outras, por proposta dos próprios autores, dada a relevância científica e pedagógica que a revista entretanto granjeou.

Em grande medida por estas razões, a revista tornar-se-ia conhecida na região, mas também, e de forma bastante relevante, a nível nacional. De tal forma que a procura da revista rapidamente se generalizou, quer no que se refere a assinantes individuais, quer no que toca a institucionais, tendo sido celebrados acordos de permuta com um número bastante amplo de revistas, muitas delas das mais conceituadas a nível do país. A sua qualidade, o valor dos seus textos, reflexo daquelas circunstâncias, fizeram com que a revista fosse objeto de referência em muitos textos e artigos científicos.

Depois, a revista, fiel a este lugar institucional, foi acompanhando as vicissitudes do desenvolvimento da ESEP. Viu nascer e fez eco das novas ofertas formativas que extravasaram o campo da formação dos professores e da educação. As suas secções, os temas centrais, as entrevistas ou as notícias refletiram o alargamento do campo. Trouxeram a debate novas problemáticas científicas e pedagógicas em que a Aprender surgiu renovada, porque renovado foi também o horizonte de trabalho da instituição, de que pretendia ser uma das faces.

Por estas razões, mais uma vez, renovámos a firme decisão de voltar à publicação da Revista, após mais um interregno que a história recente da ESEP e da vida das pessoas que nela trabalham pode ajudar a perceber. Mais uma vez ficou claro que abandonar ou deixar morrer este projeto editorial redundaria num rombo de monta na identidade institucional da ESEP.

Mas a identidade, hoje, faz-se de novas intenções e práticas de que o reforço da formação e da intervenção social merece maior destaque. Ganha contornos a que não são alheios novos protagonistas de um renovado quadro de recursos humanos e da sua gestão, em termos administrativos, científicos e pedagógicos.

O que intentamos, pois, é potenciar este novo contexto e mobilizar quem o pode concretizar, com novas energias, saberes e competências, reconfigurando certamente o projeto, mas mantendo a sua essência e natureza institucional, na tradição de 25 de existência da ESEP que a Revista Aprender marca indelevelmente.